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Como falar com o vosso par sobre experimentar algo novo

O difícil nunca é a coisa em si. É abrir a conversa sem que ela caia como uma queixa sobre tudo o que veio antes.
Por Magda6 min de leitura
Neste artigo
Em resumo
Falem fora do quarto, ponham a coisa como curiosidade e não como insatisfação, peçam um talvez em vez de um sim, e tratem um não como informação.
Existe um tipo específico de silêncio que aparece quando uma pessoa de um casal quer propor alguma coisa e não sabe como. Raramente é sobre a proposta. É sobre a frase implícita por baixo, que a outra pessoa vai quase de certeza ouvir: o que temos feito não chega.
Essa frase costuma ser falsa, e é sempre a primeira coisa a resolver.
Escolham a divisão errada de propósito
Não falem disto na cama. Nem antes, nem depois.
Na cama, tudo o que disserem é ouvido como comentário sobre o que acontece naquela divisão. Um pedido feito ali chega com um veredicto agarrado, por muito cuidado que ponham na frase, e o vosso par vai passar a semana seguinte a tentar perceber que parte fez mal.
Falem num sítio neutro e ligeiramente ocupado: um passeio, o carro, a loiça. Lado a lado ganha a frente a frente. O contacto visual transforma uma pergunta leve numa pergunta séria, e vocês querem que fique leve o máximo de tempo possível.
Perguntem antes de contar
A abertura mais forte não é uma declaração sobre o que querem. É uma pergunta sobre o que o outro quer.
«Há alguma coisa que tenhas pensado em experimentar e sobre a qual nunca falámos?» faz duas coisas ao mesmo tempo. Sinaliza que esta é uma conversa partilhada e não um pedido, e significa que a primeira pessoa a expor-se não é necessariamente quem pergunta.
Se responder, ouçam a sério e não troquem logo. Trocar transforma isto numa negociação. Deixem a resposta dele ou dela existir sozinha uns minutos antes de acrescentarem a vossa.
Se disser que não ou ficar em branco, tudo bem. Ainda assim estabeleceram que o tema está aberto, que é a maior parte do trabalho.
Ponham como curiosidade, não como correcção
A formulação que funciona: tenho curiosidade em X.
As que não funcionam: nunca, tu estás sempre, quem me dera que pudéssemos de uma vez. As três descrevem uma falta, e uma falta precisa de alguém a quem ser atribuída.
A curiosidade não ameaça porque não exige que alguma coisa tenha estado mal. Também é honesta. Na maior parte das vezes não estão insatisfeitos, estão interessados, e a conversa é difícil precisamente porque o vocabulário puxa sempre para a insatisfação.
Sejam concretos na coisa e vagos no prazo. A «um dia» diz-se que sim muito mais facilmente do que a «hoje à noite».
Peçam um talvez
Não peçam um sim.
Um sim compromete a fazer algo em que o outro não pensou. Um talvez compromete a pensar nisso, que é tudo o que precisam nesta fase e um pedido muito mais pequeno.
«Não tens de responder agora» é um presente a sério nesta conversa. Tira a pressão de reagir no instante, e as reacções instantâneas a propostas inesperadas são esmagadoramente cautelosas.
Dêem uma semana. Depois perguntem uma vez, com leveza, e aceitem o que vier.
Tratem um não como informação
Algumas respostas vão ser não. Um não não é uma falha da conversa; é a conversa a funcionar.
O que importa é o que fazem com ele. Perguntem sobre o que é o não, uma vez, e depois parem. Às vezes é a coisa em si. Muitas vezes é o cenário, o momento, ou um pormenor concreto que podia ser diferente. Um não a «no jardim» não é um não à ideia, e nunca vão descobrir isso se tomarem o primeiro não como definitivo e ficarem calados.
A única coisa que não podem fazer é voltar ao assunto repetidamente. Insistir transforma um limite num teste de resistência, e vai custar-vos mais do que a coisa valia.
Deixem que um jogo pergunte
Há uma razão para os jogos de propostas funcionarem com casais para quem esta conversa é difícil: quem sugere é a proposta, não vocês.
Quando é uma carta a fazer a pergunta, ninguém tem de se oferecer, ninguém tem de assumir aquilo, e dizer «não, a seguir» não custa nada. É uma forma de menor risco de descobrir onde estão os limites verdadeiros, e traz à superfície coisas que nenhum de vocês teria levantado a frio.
Isto não substitui a conversa acima. É uma boa forma de descobrir que conversas vale a pena ter.
Perguntas sobre isto
Qual é o pior momento para trazer isto à conversa?
Logo a seguir ao sexo, e a meio de uma discussão. Os dois momentos ligam o pedido a um juízo sobre o que acabou de acontecer, que é precisamente a leitura que estão a tentar evitar.
E se o meu par reagir mal?
Deixem assentar. Uma primeira reacção a um pedido inesperado é sobretudo surpresa, não uma resposta pensada. Voltem lá uma vez, com calma, uma semana depois, e tomem a segunda resposta como a verdadeira.
Começo pelo que quero ou pergunto primeiro?
Perguntem primeiro se conseguirem fazê-lo com sinceridade. Torna a conversa mútua em vez de um pedido, e é muito mais fácil responder com honestidade quando não se está a reagir à ideia do outro.